Conselho de Ética da Câmara começa ano com representação contra Jaqueline Roriz

16/03/2011 16:51

 Em sua primeira reunião na atual legislatura, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados recebeu nesta quarta-feira (16) uma representação contra Jaqueline Roriz (PMN-DF). Filha do ex-governador Joaquim Roriz, ela foi flagrada em um vídeo no qual apanha dinheiro de origem suspeita – ela afirma que se tratava de caixa dois eleitoral.

A representação foi movida pelo PSOL, com base no vídeo em que a deputada aparece ao lado do marido, Manoel Neto, embolsando dinheiro das mãos do então secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa. Ela teria recebido R$ 50 mil do ex-aliado de seu pai, direcionados à campanha eleitoral de 2006.

Barbosa foi pivô do escândalo que derrubou em 2010 o governador José Roberto Arruda, na época filiado ao DEM. Integrante do esquema de corrupção que fraudava licitações no Distrito Federal, o ex-secretário, que divulgou as imagens de Jaqueline apenas recentemente, conta com o benefício da delação premiada para entregar seus comparsas.

Apesar dos indícios, parlamentares dizem que Jaqueline pode evitar a cassação por ter cometido o delito antes de assumir seu mandato atual. Por isso, adversários da deputada já se movimentam para que ela seja julgada de qualquer maneira.


O deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) fez coro. “Nós botamos todo mundo para fora [quando foi descoberto o mensalão do Democratas]. Quero saber quem no Brasil fez isso. Quero ver se o partido da deputada vai fazer isso agora. Porque o DEM já pagou a conta e não merece ser rotulado por algo que aconteceu dez anos atrás”, disse.“Queremos investigação pública no Conselho de Ética. Mas também queremos levá-la à corregedoria para um julgamento sumário por mau uso da verba indenizatória já nesta legislatura”, disse Chico Alencar (PSOL-RJ).

Na mesma sessão, os membros do Conselho reelegeram José Carlos Araújo (PDT-BA) como presidente do órgão.